Por que a Solara existe: o manifesto de uma editora que não pediu licença
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Por que a Solara existe: o manifesto de uma editora que não pediu licença
Categoria: Sobre a Solara
Tempo de leitura: 5 min
Tags: solara, jogos indie, recife, história
Tem uma pergunta que recebo bastante, especialmente depois que o Backstabbers estourou no Catarse: "por que vocês não vendem para uma editora grande?"
A resposta curta é: porque a gente não quer.
A resposta longa começa lá em 2019, num apartamento em Recife, onde um grupo de amigos passava madrugadas jogando e reclamando que os jogos de tabuleiro brasileiros ou eram cópias do que chegava de fora ou não representavam quem a gente é. Não existia espaço pra gente. Não existia história pra gente. Não existia jogo que a gente pudesse colocar na mesa e dizer "esse aqui foi feito pra mim".
Então a gente fez.
O que a Solara não é
A Solara não é uma empresa de jogos de tabuleiro no sentido tradicional. Não temos fábrica própria, não temos escritório em São Paulo, não temos investidor anão americano olhando pra planilha de EBITDA.
O que a gente tem é obsessão.
Obsessão com mecânica que funciona. Com arte que respeita quem está olhando. Com caixas que valem o preço. Com comunidade que existe antes do produto existir — não depois.
Quando lançamos o Backstabbers pelo Catarse, a meta era humilde. A gente queria provar que existia demanda por um jogo de tabuleiro autoral, brasileiro, sem personagens genéricos de fantasia medieval europeia. Passamos da meta em 48 horas. Fechamos mais de 1.000 cópias.
Não por sorte. Porque a galera estava esperando alguém fazer isso.
O que é jogar um jogo Solara
Cada jogo nosso começa com uma pergunta: "o que essa mesa vai sentir?"
Não começamos com mecânica. Não começamos com número de jogadores. Começamos com a emoção que queremos que alguém sinta na última rodada, na última carta virada, na última traição revelada.
É por isso que o Backstabbers não é só mais um jogo de blefe. É sobre a experiência de perceber que sua melhor amiga te deu uma facada nas costas e você continuar na mesa rindo porque era a jogada certa e ela ganhou e vocês dois sabem disso.
É por isso que Ordem ao Caos não é só cooperação. É sobre a tensão de dois lados que precisam um do outro mas discordam sobre o que "vencer" significa.
Cada detalhe foi pensado por pessoas que jogam. Que ficam até às 3 da manhã discutindo se aquela carta quebra o equilíbrio. Que refazem o artwork porque a expressão do personagem estava levemente errada.
Por que indie
Porque independência é a única forma de fazer o que a gente faz.
Uma editora grande precisaria de aprovação de comitê para ter um jogo com personagens LGBTQAPN+. Precisaria de pesquisa de mercado para justificar um universo de horror cósmico chibi. Precisaria de planilha para aprovar a decisão de fazer dois tipos de capa para o mesmo jogo porque a comunidade merece escolher.
A gente faz porque quer. Porque acredita. Porque a mesa de jogo é um dos poucos lugares onde ainda é possível criar algo que é genuinamente seu.
Não gerado. Não vetorizado. Não artificial.
O que vem por aí
2026 é o ano do OAC. Ordem ao Caos é o projeto mais ambicioso que a Solara já fez — e está chegando ao mesmo tempo que uma versão maior de tudo que construímos até aqui.
Se você ainda não conhece a Solara, este é um bom momento para começar.
Se você já conhece: obrigado por estar aqui desde antes.
A mesa está posta.
— Equipe Solara
Recife, 2026
